IAW-5NF - Driver da bobina de ignição

A quantidade de energia (W) que uma bobina de ignição pode armazenar é um fator muito importante para proporcionar a queima da mistura ar/combustível, e pode ser calculada pela fórmula abaixo:
(W = ½ L I²)
É uma relação diretamente proporcional à indutância (L) e o quadrado da corrente primária (I) da bobina de ignição. Consecutivamente a corrente primária deve ser controlada com precisão, afim de, garantir o desempenho ideal e preservar a bobina de ignição contra sobrecargas térmicas.    
A relação de indutância por resistência do primário destaca a constante de tempo (constante de tempo = L/R) para que a corrente alcance 63% da corrente máxima da bobina. Vale lembrar que a corrente máxima é aquela obtida pela lei de Ohm (I=U/R).
Em linhas gerais, bobinas de alta potência requerem pulsos com 2 a 6 milissegundos de ciclo ativo para regular a corrente primária.

Para desempenhar esta tarefa o sistema de controle do motor IAW-5NF possui dois drivers bastante interessantes para comandar a bobina de ignição dupla, o circuito integrado VB025SP fabricado pela ST Microelectronics.
Drivers da bobina de ignição, módulo IAW-5NF
As principais características são: limite de corrente, proteção contra alta temperatura, diagnóstico de corrente da bobina, limite de tensão primária.
O sinal lógico de controle, acima de 4 Volts, gerado pelo processador da central de injeção IAW é aplicado ao pino (9) do CI estabelecendo o inicio de circulação da corrente primária com o chaveamento do transistor darlington para ligado, que cresce segundo a indutância da bobina. Ao interromper o sinal lógico de controle, nível de tensão abaixo de 1,9 V, a corrente primária é desligada. A tensão induzida no enrolamento primário ao desligar a bobina de ignição é limitada em cerca de 380 V pelo driver.
Diagrama módulo IAW5NF e driver da bobina, CI-VB025SP
A corrente primária efetiva é detectada pelo resistor em série (Rs) com a massa de potência.
Diagnóstico de corrente da bobina: Um sinal de tensão, cerca de 5 Volts, é emitido pela saída de Diagnóstico, pino (10) do CI, enquanto a corrente primária se mantiver acima de 4,5 Amperes, e pode ser usado pelo processador para detectar a comutação real da bobina.

Limite de corrente da bobina: A corrente primária é limitada a 10 Amperes pelo circuito interno do CI e em caso de excessos que resulte em derivações térmicas ela é reduzida para proteger o circuito.

A queda de tensão estimada entre o coletor-emissor do transistor darlington é de 1,5 a 2 Volts sob uma carga de 6,5 Amperes.
A base do transistor darlington, responsável pela etapa final, está accessível por meio do pino (8) do CI.  

Conclusão:
O uso de uma bobina inadequada vai alterar a corrente primária seja pela condição imposta pelo seu próprio enrolamento ou pelo comportamento interno do CI. Também qualquer falha que resulte em baixo fluxo de corrente primária pode ser diagnosticado.

Nem sempre encontramos estas informações nos manuais de serviço, e podemos até questionar a sua relevância, mas estou convencido da ajuda que isto representa no diagnóstico de falha do veículo. Espero que o exposto aqui seja suficiente para atender as necessidades básicas do reparador de veículo ou de módulos, caso deseje maiores detalhes consulte o datasheet do fabricante do componente. 

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9 comentários:

  1. Muito boa informação, onde raramente encontramos. Parabéns e obrigado!!

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  2. Olá Paulo, fico contente pelo seu reconhecimento, é muito bom poder ajudar.

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  4. Olá amigo Parabéns, gostaria de mais informações a respeito desta ecu vc teria a disponibizar?

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    1. Agnaldo infelizmente não. Você pode conseguir com empresas de treinamento de reparo de módulos.

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  5. opa, boa matéria, parabêns, o amigo teria alguma tabela de CI's de centrais? já peguei o ci vb325 vb025 e vb525 fazendo a mesma função, controle das bobinas, e outra coisa, eu peguei 3 centrais da ford IAW 4CF com esses drives queimados, substitui e foi de boa, dae a pergunta; será que o mecânico que me enviou tais (que foi só dessa oficina que chegaram) isso nos ultimos 2 messes, que possivelmente esteja usando bobinas inadequadas para tal?
    Grato qualquer dica, Coelho. coelho2203@hotmail.com

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    1. Gb a coisa mais difícil a saber o que fazem para provocar o defeito. Eu gostaria de ver, parece impossível, mas quando vemos tantos problemas vem sempre esta pergunta: como o cara conseguiu queimar isto? Porém nem tudo é culpa do mecânico, temos que considerar a falta de manutenção. Falha de ignição pode provocar uma descarga que queime o transistor.

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  6. Professor obrigado por compartilhar! Eu desenvolvo alguns módulos de ignição para motos e uso drivers automotivos. Não encontro o esquema eletrico das centrais, somente programas de computador que circulam o componente e mandam testar. Eu precisaria do esquema de como é conectado a bobina do GOL MI 2pinos ao driver VB027, se tem algum diodo de proteção, snnuber etc, poderia me ajudar? Essa parte é critica pois se não houver proteção (caso necessario) queima o driver

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