Funcionamento da CDI de motos e simulador

Conhecer o funcionamento de um componente certamente dá mais segurança e tranquilidade para o mecânico na hora de fazer um diagnóstico de falha. Evita a troca de peça indevida e além disso ajuda na hora de decidir qual é o melhor teste a ser empregado para analisar mau funcionamento do sistema. 

Pensando nisso criei uma série de videos e informações adicionais para proporcionar ao mecânico esta facilitação. Vale a pena lembrar que esta abordagem tem caráter didático para facilitar o entendimento, e não constitui um projeto para fabricar um componente alternativo.

Funcionamento da CDI:
O magneto da moto é basicamente um alternador com duas bobinas geradoras. Uma delas é capaz de gerar mais de 100 Volts de corrente alternada,  cuja finalidade é carregar o capacitor C1 através do  diodo D2 e primário da bobina durante o semiciclo de geração positivo (vide fig. abaixo). A outra bobina, chamada de pulse ou captor, gera uma tensão baixa suficiente para excitar o SCR1 (figura abaixo) e irá comandar a descarga do capacitor através do primário da bobina de ignição. A alta intensidade da corrente de descarga e sua breve duração é suficiente para induzir a alta tensão no secundário da bobina, mais de 10.000 Volts, fazendo com que salte uma centelha entre os eletrodos da vela de ignição ao iniciar o semiciclo positivo da bobina captora. 
Esquema elétrico básico de uma CDI 
 D1, D2 - Diodo de uso geral 1N4007
SCR1 - Tiristor TIC 126E
R1 - Resistor de 100 a 120 Ohm 1/8 Watts (pode ser usado um trimpot de 10 kOhm para ajustar o ponto ideal de disparo, já que pode variar para os diferentes modelos existentes).
R2 - Resistor de 820 Ohm 1/8 Watts
C1 - Capacitor de poliester 1,5 ou 2,2 microfarad, 250 Volts ou mais.

Ciclo de carga e disparo da CDI.
A pinagem do módulo da figura acima se refere a uma das versões comerciais, como a Titan 125, qualquer dúvida consulte o esquema de ligação da CDI a ser estudada.
Os semiciclos de ambas as bobinas estão defasados (figura ao lado) de modo que a bobina geradora consiga carregar o capacitor antes do pulso da bobina captora.
O interruptor de parada do motor provoca um curto-circuito via diodo D1 na bobina geradora, desligando o motor, já que isso cessa a carga do capacitor.
Esquema de ligação para ativar o funcionamento da CDI com transformador AC
A funcionamento simulado da CDI pode ser efetuado com o uso de um transformados de corrente alternada ligado a rede elétrica, conforme esquema da figura acima.
Pode ser usado um transformador de 10 VA com secundários de tape central  sendo um enrolamento com saída de 6 Volts e o outro de 110 Volts. No minha simulação eu usei um transformador de 15VA reciclado de uma velha impressora, o qual refiz os enrolamento secundário para adicionar a saída de 6 Volts. Ficou com cerca de 5,6 e 96 Volts respectivamente. Os valores sugeridos proporcionarão melhor desempenho. 

Esta é uma boa opção para aqueles que gostam de aprender fazendo. Mais detalhes podem ser visualizados no vídeo no meu canal do you tube.

Veja também:
Sistema de ignição indutivo
Bê-a-bá da ignição eletrônica
Simulador para bobina de ignição

Testador de continuidade sonoro

Muitos multímetros possuem um teste de continuidade sonoro, uma opção bastante útil para serviços na fiação elétrica do veículo e seus componentes. Entretanto, na maioria dos casos o desgaste da bateria do aparelho é acentuado inviabilizando o uso para um longo período de trabalho. Programar o auto desligamento seria incômodo e o nível sonoro nem sempre é satisfatório.
A solução prática e de baixo custo é construir um multivibrador astável a transistor e introduzir um buzzer. A grande vantagem é que dispensa o uso da chave liga/desliga já que a duração da bateria é extremamente longa e permite o ajuste sonoro. Com ele também é possível testar diodos e distinguir alterações de resistência do circuito através da mudança do tom sonoro. 
O circuito sugerido abaixo é bastante simples e os componentes podem ser alterados conforme a necessidade, sem grandes problemas.
Circuito oscilador

A montagem é bem flexível podendo ser feita com pontes de fios, placa impressa padrão e se tiver mais habilidade e recurso,  o técnico pode confeccionar uma placa impressa exclusiva.

Placa de circuito impresso sugerida. Vista lado dos componentes.
A placa impressa sugerida, ainda que o técnico não opte por ela, serve como referência de lay out para a montagem em placa padrão ou outro meio.   
Lista de componentes:
Q1, Q2 - Transistor NPN de uso geral BC548 ou similar
D1 - Diodo de uso geral 1N4001 ou 1N4148
R1 - Resistor de 2,2 kohm - 1/8 Watts
R2 - Resistor de 10 kohm - 1/8 Watts
R3 - Resistor de 1Kohm - 1/8 Watts
P1 - Trimpot de 100k
C1 - Capacitor de poliester ou cerâmico de 10 nf 50 Volts ou mais
C2 - Capacitor de poliester ou cerâmico de  33 nf 50 Volts ou mais
C3 - Capacitor de poliester ou cerâmico de 0,47 mf 50 Volts ou mais
Buzzer de 12 mm para 5 ou 9 Volts, conforme a bateria usada. 
Bateria de celular 4,8V ou comum de 9 Volts.
Placa de circuito padrão 2,5 x 4 cm. 
Diversos: fio flexível vermelho e preto para cabo de teste, comprimento conforme desejado; pino banana para ponta de prova a gosto; solda de estanho.    

Aplicação e uso veja vídeo no you tube. 
  Após a montagem alimente com a bateria e junte as pontas de prova, e ajuste o trimpot até obter o som desejado. Bom uso.